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A Estratégia por trás da construção de patrimônio no ciclo de queda da Selic
Eliseu Mânica Jr. – Edição #024
Quando olho para o cenário que estamos vivendo e para o que se aproxima, vejo uma oportunidade rara para quem pensa investimento com estratégia, disciplina e visão de longo prazo. O mercado de varejo muitas vezes olha o jogo como um tabuleiro de xadrez — movimentos óbvios, táticos, de curto prazo. Mas, na prática, os grandes players estão jogando pôquer. Eles não reagem: eles se posicionam antes.
E é exatamente isso que estou fazendo e ensinando meus clientes a fazerem.
Com a queda da Selic projetada para 2026, o investidor despreparado tende a olhar apenas o óbvio: “juros menores favorecem as ações”. E sim, favorecem. Em 2016, quando a Selic caiu de 14,25% para 2%, o Ibovespa subiu mais de 200%. Mas o que pouca gente percebe é que não são todas as ações que sobem igualmente.
As empresas que combinaram alto fluxo de caixa, dividendos consistentes e baixa dívida entregaram mais de 280% de retorno — bem acima da média do mercado.
Por quê?
Porque a queda dos juros provoca três efeitos simultâneos:
expande os múltiplos das empresas,
reduz o custo do capital,
e torna os dividendos mais valiosos.
Só que aqui entra o ponto crucial: enquanto o varejo compra o que aparece na prateleira, muitas vezes empurrado pelos bancos, eu busco o que realmente constrói patrimônio — empresas alinhadas ao objetivo do investidor e ao seu perfil, seja buscando renda (dividendos) ou crescimento.
Ao longo dos anos desenvolvi — e utilizo nos meus portfólios — um framework consistente que se apoia em cinco critérios fundamentais:
Payout sustentável entre 50% e 80% — dividendos consistentes e previsíveis.
ROIC acima de 15% — empresas que multiplicam capital com eficiência.
Dívida Líquida/EBITDA abaixo de 2x — quem tem caixa acelera nos ciclos bons.
Geração de caixa operacional positiva — dividendo real, pago com dinheiro de verdade.
Moit competitivo 5. — regulação, marca forte ou escala que protege o lucro.
Dentro desse filtro, alguns setores tornam-se verdadeiras máquinas de fluxo de caixa:
Bancos, com ROE de 17% a 18% e payout de 60% a 70%, especialmente os que crescem mais de 15% ao ano em base digital e mantêm inadimplência controlada.
Geração e transmissão de energia, com contratos longos, margem EBITDA de 70% a 80% e dividendos de 6% a 9%.
Seguros, com destaque para BB Seguridade, que entrega ROE de 30% a 40% e payout próximo de 90% com baixíssimo capex.
Por outro lado, mantenho distância de setores como varejo de baixa margem, aviação e commodities sem hedge cambial. O risco não compensa o desgaste.
Construir patrimônio é engenharia. Exige critério, paciência e processo. Por isso, sigo quatro passos que considero essenciais:
Estratégia de fluxo: saber quanto de patrimônio é necessário para o dividendo mensal desejado.
Diversificação inteligente: setores descorrelacionados, para atravessar ciclos com estabilidade.
Constância de aportes: comprar todos os meses e reinvestir dividendos nos primeiros anos — é aí que o efeito bola de neve realmente explode.
Rebalanceamento anual: ajustes finos, somente quando os fundamentos mudam ou o preço se descola demais do valor.
As maiores armadilhas estão sempre ligadas à ansiedade: dividend yields altos demais (quase sempre insustentáveis), carteiras recomendadas que mudam toda hora, e a ausência de um critério de saída. Sem disciplina, o investidor vira refém do humor do mercado.
O que construo todos os dias com meus clientes é soberania financeira: clareza, estratégia, comportamento e visão. Porque a verdadeira riqueza não nasce da sorte. Ela nasce do método, da consistência e da capacidade de tomar decisões melhores do que o mercado varejo toma. Até o momento as duas carteiras em ações que tenho e atendo clientes, sobem +54% e +39% apenas em 2025.
2026 será um ano decisivo para quem souber se posicionar agora.
E eu sigo comprometido em guiar cada investidor que caminha comigo para construir patrimônio de forma estratégica, inteligente e sustentável — como venho fazendo há quase duas décadas.
Construa sua soberania financeira com disciplina e critérios claros, pois a riqueza sustentável é resultado de estratégia, não de sorte.

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