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18,2 mil pesos por um combo do McDonald’s — e o que isso revela sobre o futuro do seu patrimônio
Eliseu Mânica Jr. – Edição #011
O futuro não avisa, ele chega.
“A inflação é o imposto dos que não percebem que estão sendo taxados.” — Milton Friedman
18,2 mil pesos.
Esse foi o preço que paguei por um combo simples no McDonald’s em Mendoza, Argentina.
Uma pilha de cédulas que mal caberia nas mãos. Equivalente a R$ 83 — ou 15 dólares.
Na bandeja, uma refeição simples frango, salada e um Coca-Cola diet.
Na carteira, a lembrança vívida do que acontece quando uma moeda perde o seu valor.
Porque o dinheiro — esse símbolo de confiança — pode virar papel diante de uma má gestão.
Mas o mais assustador não foi o valor da refeição.
Foi a naturalidade com que os argentinos lidam com isso.
Como quem já se acostumou a caminhar em um chão que afunda.
Você já pensou em carregar um maço de notas só para pagar um lanche?
Não por luxo.
Mas porque a moeda perdeu tanto valor que o dinheiro físico virou peso morto no bolso.
O futuro — quando chega — não vem com aviso prévio.
Ele não toca a campainha.
Ele entra pela porta da frente, senta no seu sofá, e muda sua vida.
É por isso que não basta mais investir.
É preciso entender.
E é justamente aqui que começa o papel de uma boa assessoria:
traduzir os sinais antes que eles virem sirenes.

A vida em dois mundos
“A experiência é uma escola rigorosa, mas ensina como nenhuma outra.”
Mendoza é um palco com dois cenários.
Dentro do auditório, líderes dos maiores escritórios de investimentos do Brasil discutem o futuro da assessoria.
Falam de estratégias globais, inteligência emocional, planejamento patrimonial.
O clima é de ambição, inovação, crescimento.
Do lado de fora, nas ruas, supermercados e cafés, outra conversa acontece.
Uma conversa silenciosa, onde as prateleiras vazias e os preços instáveis gritam mais alto que qualquer discurso.
Dois mundos, uma mesma cidade.
Um representa o que o Brasil pode conquistar.
O outro, o que o Brasil precisa evitar.
É andando entre esses dois mundos que a ficha cai:
Para proteger seu patrimônio, não basta olhar o extrato.
É preciso olhar o mundo.
Porque o risco, muitas vezes, não está nos seus investimentos — está naquilo que você ainda não percebeu.
E quem quer preservar riqueza, precisa de alguém que veja o invisível.
Alguém que te mostre o que pode acontecer antes que aconteça.
Esse é o papel do assessor de verdade: ele não vive só na planilha — ele vive no mundo.

O investidor que sobrevive às tempestades
“Quando a maré baixa, é que descobrimos quem estava nadando nu.” — Warren Buffett
Investir é fácil quando o mar está calmo.
É nas tempestades que o verdadeiro investidor se revela.
E tempestades não mandam recado.
Elas chegam como chegaram na Argentina.
Como já chegaram no Brasil.
Como podem chegar a qualquer momento, em qualquer lugar.
É por isso que diversificação internacional não é moda.
É proteção.
É como ter guarda-chuvas em vários países — porque quando chove em um, você não se molha em todos.
O investidor que entende isso para de olhar apenas para rendimento.
Ele começa a olhar para resiliência.
Para liberdade.
Para autonomia.
E é aqui que entra o valor da assessoria de investimentos:
mostrar caminhos que não estão nas propagandas,
nem nas conversas de grupo,
mas na análise fria dos riscos e nas decisões que te colocam sempre um passo à frente.
Enquanto muitos investem com o mapa antigo,
o investidor bem assessorado navega com GPS atualizado,
bússola calibrada e olhos no horizonte.

O preço das coisas e o valor da moeda
“Você só entende uma moeda quando ela para de valer algo.”
Aquele almoço de 182 mil pesos me lembrou de um conceito genial:
o Índice Big Mac.
Criado pela The Economist, o índice compara o preço do mesmo lanche em diferentes países.
Parece uma brincadeira — mas é uma das formas mais visuais de entender o poder de compra das moedas.
Na Argentina, o preço do Big Mac, em pesos, é altíssimo.
Mas convertido para dólares, revela o que o povo já sente no bolso:
a moeda perdeu valor. E com ela, o poder de viver com dignidade.
Aqui vai a verdade incômoda:
moeda fraca empobrece quem não se protege.
E esse é um dos maiores erros do investidor brasileiro:
acreditar que o real é estável só porque não vivemos mais com etiquetas remarcadas todo dia.
Mas a perda de valor continua — só que mais silenciosa.
E o que parecia suficiente hoje…
amanhã pode não cobrir nem o básico.
Por isso, o bom assessor precisa fazer mais do que sugerir produtos.
Ele precisa traduzir o mundo.
Precisa mostrar que inflação, câmbio e política fiscal não são assuntos para economistas — são alertas para quem quer manter o que construiu.
Abaixo, compartilho alguns produtos encontrados em supermercados da Argentina, com fotos tiradas entre os dias 27 e 29 de junho. Os preços foram convertidos de pesos argentinos para reais com base na cotação de R$ 0,0045 em 1º de julho de 2025.
![]() Água mineral Bonaqua $ 2300,00 (~R$ 10,28) | ![]() Água mineral Bonaqua $ 1400,00 (~R$ 6,26) | ![]() Água saborizada Aquarius $ 1500,00 (~R$ 6,71) |
![]() Batata Lay’s $ 3500,00 (~R$ 15,65) | ![]() Salgadinho Cheetos 140g $ 5100,00 (~R$ 22,80) | ![]() Biscoito Oreo sem glútem $ 3300,00 (~R$ 14,75) |
![]() Biscoito Oreo $ 2800,00 (~R$ 12,52) | ![]() Farinha de trigo Caserita 1kg $ 1535,00 (~R$ 6,86) | ![]() Farinha de trigo Bulnez 1kg $ 1150,00 (~R$ 5,14) |
![]() Cerveja lata Stella Artois $ 2900,00 (~R$ 12,96) | ![]() Cerveja latão Stella Artois $ 3600,00 (~R$ 16,09) | ![]() Coca-Cola zero 2l $ 3400,00 (~R$ 15,20) |
![]() Chocolate Banafide 60% cacao $ 4799,00 (~R$ 21,45) | ![]() Nutella creme avelã $ 7860,00 (~R$ 35,14) | ![]() Red Bull 250ml $ 3600,00 (~R$ 16,09) |

O assessor como tradutor do mundo
“Não é o investidor que precisa ser técnico. É o assessor que precisa ser humano.”
Você já teve a sensação de que o mercado está falando em outra língua?
Selic, IPCA, câmbio flutuante, juro real, ativos dolarizados — um vocabulário inteiro que não diz nada até que, de repente, diz tudo.
Só que quando diz, muitas vezes já é tarde.
É por isso que o investidor de alta renda não precisa de mais informações.
Precisa de tradução.
De alguém que filtre, sintetize, conecte os pontos e transforme complexidade em clareza.
E mais: precisa de alguém que o conheça além dos números.
Alguém que entenda que investir é uma extensão da vida — dos medos, dos planos, das escolhas.
Uma boa assessoria não se perde no excesso — ela foca no essencial.
Ela sabe onde estão os riscos, onde estão as oportunidades e, principalmente, onde está você.
Ela alinha patrimônio com propósito, investimento com intenção.
Porque no final das contas, o verdadeiro valor não está em correr atrás do impossível.
Está em proteger o que foi conquistado.
Em crescer com estratégia.
Em ter liberdade para viver — enquanto o mundo muda.

O único ativo que ninguém pode tirar
“Invista em você. É o único ativo que ninguém pode confiscar.” — Warren Buffett
A viagem para Mendoza termina,
mas o que ela ensinou segue comigo — e, agora, com você.
Na rua, uma população que aprendeu, com dor, o que significa perder o valor da própria moeda.
No evento, os maiores líderes da assessoria brasileira discutindo como proteger quem confia neles.
Duas realidades.
Um mesmo alerta: não existe patrimônio sólido sem visão global.
O Brasil já flertou com o abismo econômico antes.
E o investidor que ignora os sinais, acaba pagando caro por aquilo que poderia ter evitado com uma boa conversa, uma boa escolha, uma boa assessoria.
Porque, no fim das contas, não é só sobre onde investir.
É sobre quem está com você para te ajudar a enxergar o que vem antes de todo mundo.
O verdadeiro investidor não é aquele que vive correndo atrás do próximo pico.
É o que constrói retorno com inteligência.
Que cresce com estratégia, sem perder o sono.
Que sabe que resultado sólido não vem da pressa — vem da clareza.

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